Obstetrícia

Gravidez, um imenso prazer

Estar grávida é um estado de espírito elevado, é a uma glória pois será gerada uma nova vida.

Estar grávida é um estado de espírito elevado, é a uma glória pois será gerada uma nova vida .Ocorrem mudanças no corpo e no humor. A mulher agora é uma gestante que pode sentir enjoos, queda da pressão, perder peso no primeiro trimestre, um sono incontrolável ou mesmo não sentir nada disso. Vêm a insegurança, a labilidade emocional, a felicidade completa… O corpo feminino se prepara para a maternidade, aumenta fluxo sanguíneo, inevitavelmente se ganha peso, a pele se adapta e estica. São nove meses (em torno de 40 semanas da última menstruação) de consultas a cada quinze ou trinta dias. No início é a relação médico-paciente, mas ela vai se tornando mais do que isso: cria-se uma relação de confiança. Não apenas da gestante com seu obstetra, mas do obstetra com sua gestante.

Entende-se por obstetrícia a parte da medicina que estuda os fenômenos da reprodução da mulher, ocupa-se com  a gestação, parto e puerpério. Como curiosidade, origina-se da palavra latina obstetrix, que significa ficar ao lado.A gestante tem um profissional à sua disposição, tem acesso a qualquer hora do dia e da noite. É importante que a grávida sinta-se segura desse acesso ao seu obstetra numa situação de emergência. Quantas vezes escuto no consultório: “Dra. a senhora vai viajar no feriado?”, “Posso ligar de madrugada?”, ” Se estiver ocupada quem vai fazer meu parto?”, “Tenho medo do parto normal e da cesárea, o que eu faço doutora?”. No início da gravidez: “Dra. quando eu vou sentir meu bebê mexer?”, depois do setimo mês, a mesma gestante: “Dra. meu bebê não para de mexer, não consigo dormir?”

Na assistência pré-natal se orientam hábitos de vida: dietas, atividades físicas, vestuário. Prepara-se a grávida para a maternidade no sentido de promover informação para o parto. Realiza-se acompanhamento psicológico, diagnóstico e tratamento de doenças pré-existentes; assim como diagnósticos de doenças da própria gravidez. Por exemplo, gestantes com doença pré-existente (diabetes, hipertensão, epilepsia, hipotireoidismo, hipertireoidismo, esclerose multipla, síndrome dos ovários policísticos), história familiar de síndromes fetais, e antecedente de abortamento de repetição; necessitam de pré-natal com acompanhamento diferenciado. Assim como durante o acompanhamento pré-natal após 20 a 24 semanas pode ocorrer a diabetes gestacional e ou doença hipertensiva específica da gravidez (DHEG) conhecida como pré -eclampsia.

É realizado ultrasonografia morfólogica do primeiro e segundo trimestre. Realiza-se ultrasonografia em 3 D (três dimensões) em torno de 28 a 30 semanas, onde se visualiza mais nitidamente a face do bebê semelhante a do nascimento; e ao final de nove meses teremos mamãe e recém-nascido saudáveis.

Está chegando o nono mês…o parto. “Dra. como que eu sei que chegou a hora?”, “Será que vai dar tempo de chegar na maternidade?”. Primeiro: a grávida tem que entender que na televisão é diferente da vida real, um trabalho de parto pode durar até doze horas. Entende-se por trabalho de parto três contrações fortes (barriga dura) em dez minutos que se iniciam lentamente, primeiro uma contração a cada meia hora, depois a cada quinze minutos até chegar ao trabalho de parto efetivo. Então pra entender melhor: pense numa tempestade que vai chegar. Primeiro fica nublado, começa a ventar e trovejar e depois chove. Portanto oriento que assim que o tempo ficar nublado ligar para seu obstetra.

Já a algum tempo existe o parto normal sem dor …, ao menos sem dor forte. Realiza-se a analgesia de parto sem interferir nas contrações, mas é importante que a gestante sinta uma cólica fraca para participar e ajudar nesse momento tão importante. A cesárea tem suas indicações e é outra opção para o casal e o obstetra.

E o papai? Ele “está ao lado” mais que o obstetra, está em todas as horas, é o porto seguro dessas duas vidas, participa do pré-natal e deve participar do parto. É ele que acalma, que liga para o obstetra, e que conta tudo que a grávida não conta nas consultas…e é ele que segura primeiro o filho e depois apóia a mamãe quase dormindo durante a amamentação.

Estar grávida é um imenso prazer e ser obstetra também.

Autor: Dra Cecília Helena Bueno Barboza CRM 79882.

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